publicado em 16/07/2012
Artigo publicado no jornal O Globo, no dia 13 de julho de 2012
Por Marina Grossi (*)
A Rio+20 foi um marco da consolidação das empresas no palco principal do debate sobre sustentabilidade, ao lado dos governos e da sociedade. É uma conquista histórica, principalmente quando se leva em consideração que há 20 anos, na Rio-92, o setor empresarial era considerado um vilão.
No entanto, esse reconhecimento ainda não alcançou a sociedade, principalmente os jovens, como se pôde ver na Cúpula dos Povos, na qual as empresas ainda eram encaradas como forças negativas contra asustentabilidade.
Aproximar empresas e sociedade e fazer com que as pessoas queiram estar perto do setor empresarial, não só para fiscalizar, mas também para ajudar a construir o caminho para a sustentabilidade, é um dos desafios desse período pós-conferência.
Mais de 300 compromissos individuais de empresas foram registrados no site da ONU por meio da parceria entre o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês) e o Pacto Global. Outras se comprometeram com as plataformas transformadoras das Nações Unidas, como a Energia Sustentável para Todos, o Desafio de Fome Zero, a Plataforma da Indústria Verde e o Instituto Global de Crescimento Verde.
Grandes corporações, instituições de investidores e governos desenharam um arcabouço para negócios inclusivos e cinco bolsas de valores mundiais, com 4.600 empresas, assumiram compromisso público para a promoção de investimentos sustentáveis.
No setor agrícola, 16 empresas lançaram princípios voluntários de boas práticas e políticas para a agricultura sustentável; 45 executivos enviaram um comunicado para os governos visando à melhor gestão dos recursos hídricos; 400 executivos aderiram aos Princípios de Empoderamento das Mulheres; 26 universidades endossaram a Declaração do Ensino Superior, que visa a incorporar a sustentabilidade no ensino, pesquisa e gestão.
Também merecem destaque os dez compromissos assumidos pela Rede Brasileira do Pacto Global, com a adesão de aproximadamente 200 executivos; e a criação do Centro Rio+ (Centro Mundial de Desenvolvimento Sustentável Rio).
O caminho será lento se empresas, sociedade e governos trilharem percursos separados. Mas basta ter vontade de fazer diferente.
Marina Grossi é presidente-executiva do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável.

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