publicado em 16/07/2012
Artigo publicado no site da revista Época, no dia 19 de junho de 2012
Por Marina Grossi (*)
O lançamento da publicação “Visão Brasil 2050” na Rio+20, elaborada pelo CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), consolida a posição de vanguarda das principais lideranças do setor empresarial brasileiro, que, ao longo desses últimos vinte anos, vêm se mobilizando em busca de uma mudança estrutural no modelo de desenvolvimento do país. Trata-se da adaptação para a realidade brasileira do relatório Vision 2050, documento produzido pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) com objetivo de oferecer a visão de um futuro sustentável e como é possível atingir esse patamar nos próximos 40 anos.
O documento brasileiro aproveitou os nove pilares temáticos do relatório original - Valores e Comportamento; Desenvolvimento Humano; Economia; Biodiversidade e Florestas; Agricultura e Pecuária; Energia e Eletricidade; Edificações e Ambiente Construído; Mobilidade, e Materiais e Resíduos – e os adaptou ao cenário atual do país como ponto de partida para uma visão de curto, médio e longo prazos, facilitando assim a identificação de metas que precisam ser adotadas no planejamento estratégico das empresas e do país.
No cenário global – e isso é confirmado durante a Rio+20 - o Brasil é reconhecido potencialmente como um dos líderes da corrida verde. Tem hoje uma boa vantagem competitiva inigualável por sua matriz energética limpa, grande biodiversidade e uma renda per capita em expansão. Contudo, essa posição foi conquistada sem planejamento. No nosso país, como em boa parte do mundo, sustentabilidade e desenvolvimento ainda não são pensados de forma integrada, o que dificulta a realização de projetos de médio e longo prazos. A adoção dos princípios e práticas de sustentabilidade depende desta integração. O futuro das empresas, do governo e da sociedade é o mesmo. As agendas, portanto, não podem ser pensadas separadamente.
Como principais desafios desta agenda, o Visão Brasil 2050 aponta a necessidade de incentivar atividades de baixo carbono, instituir o pagamento por serviços ambientais e estimular iniciativas sustentáveis para as áreas de habitação, saneamento, mobilidade, resíduos sólidos e formação profissional. A recomendação de um forte investimento no ensino básico, fundamental, médio e técnico é considerada estratégica para garantir a inovação, indispensável para a sustentabilidade.
O Visão Brasil 2050 oferece uma plataforma para o diálogo, que possa apoiar as empresas e o país rumo ao desenvolvimento sustentável. É a partir dele que poderemos fazer o trabalho posterior de buscar metas específicas. Para o CEBDS, o maior ganho desse histórico documento é nortear a discussão de uma agenda comum que congregue desenvolvimento e sustentabilidade no Brasil, tornando o diálogo entre esses segmentos possível e evitando que as decisões sejam tomadas de forma unilateral e com visão de curto prazo. Devemos buscar, na medida do possível, uma dinâmica onde todos sejam beneficiados.
O CEBDS tem defendido a tese de que medidas econômicas devem estar integradas às dimensões ambiental e social. Da mesma forma, as iniciativas de cunho socioambiental precisam se conectar com a dimensão econômica. A sustentabilidade só existe mediante a interseção desses três pilares. Só assim é possível vencer os obstáculos conjunturais da economia e criar condições para a substituição do modelo atual por um sustentável, preservando os ativos ambientais e garantindo qualidade de vida à população.
O lançamento deste documento na Rio+20 é emblemático. Representa a importância deste momento em que precisamos decidir se queremos viver em um país melhor ou se preferimos seguir para esse cenário de mudanças climáticas graves, crises financeiras profundas, crescimento desordenado nas cidades e perdas irrecuperáveis em todos os biomas. Se vamos interromper esse processo ou não é uma escolha nossa. De cada um e de todos nós.
O CEBDS promoveu o processo de adaptação do relatório durante mais de um ano, mobilizando os maiores especialistas de múltiplos setores. Nossa intenção é contribuir para que empresas, governos e sociedade possam estar juntos no planejamento do futuro que queremos para o Brasil.
*Marina Grossi é economista e preside o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) desde 2010

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