publicado em 28/02/2012
Como conciliar os pontos apresentados no Draft Zero das Nações Unidas para a Rio+20 com a agenda nacional de desenvolvimento sustentável? Essa pergunta deu início a primeira edição dos "Diálogos Sociais: Rumo a Rio+20", evento criado pela Secretaria-Geral da Presidência da República em parceria com o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). A proposta dos "Diálogos", de acordo com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, é que a democracia não seja um dos objetivos de um mundo sustentável, mas que seja premissa para discussão do tema.

O encontro ocorreu no dia 15 de fevereiro, no Anexo I do Palácio do Planalto, e contou com a presença de dezenas de representantes de todos os setores da sociedade com o objetivo de contribuir e consolidar a posição brasileira para a Rio+20. O CEBDS esteve presente como um dos representantes do setor empresarial, que possui assento no CDES e que participou ativamente na formação do posicionamento brasileiro para a consolidação do Draft Zero.
A professora Tânia Bacelar, da UFPE, iniciou o encontro apresentando a evolução do conceito "sustentabilidade", sua utilização nos dias de hoje e a necessidade de seu embasamento para o futuro, sempre pautando a obrigatoriedade de indicadores e metas que possam mensurar esse progresso. O presidente do IPEA, Márcio Pochmann, abordou como as atuais indefinições do cenário sócio-político-econômico geram expectativa para a Rio+20, já que a Conferência se propõe a discutir uma visão de longo prazo para o desenvolvimento sustentável mundial.
Os representantes do IBASE e da CUT, Moema Miranda e Artur Henrique Silva Santos, clamando por um papel mais proativo do Estado e questionaram o uso do termo "Economia Verde", tão presente no Draft, convocando para uma participação mais ativa da população através de um modelo de democracia direta. O vice-presidente da CNI, Rodrigo Loures, fez o contraponto ao afirmar que o empreendedorismo é ponto fundamental para o desenvolvimento sustentável e que a "Economia Verde" já pode ser verificada nos movimentos de descarbonização da economia, tecnologias sociais para aproveitamento sustentável de materiais, dentre outros.

Representantes de diversas entidades e setores defenderam seus posicionamentos para que fossem contemplados pela agenda brasileira. Questões como planejamento urbano, superação do PIB como o maior indicador de desenvolvimento, agendas subnacionais e governança foram debatidas durante o evento, que terá futuras edições mensais com as temáticas da governança, educação e mecanismos financeiros de desenvolvimentos. A vice-presidente executiva do CEBDS, Mariana Meirelles, parabenizou os esforços do Executivo pela iniciativa, saudou participação tão heterogênea, e ressaltou o papel fundamental do setor empresarial no processo.
Os "Diálogos" voltam a acontecer em março, em Brasília, com a temática "Educação".
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