publicado em 26/06/2012
Propostas concretas que visam acelerar o processo de migração das empresas para um modelo de desenvolvimento sustentável, apresentadas pelo setor durante a Rio+20, ganharam destaque na tarde desta segunda-feira (25), no Seminário Os Desafios do Desenvolvimento e da Sustentabilidade, promovido pelo jornal O Globo, em um hotel em Copacabana, no Rio de Janeiro. “O setor empresarial foi um agente importante na Rio+20, apresentando propostas que visam dar escala às boas práticas do mercado”, ressaltou a presidente executiva do CEBDS.
Entre as sugestões, a iniciativa do CEBDS de recomendar ao governo brasileiro que regulamente a obrigatoriedade da publicação de relatórios de sustentabilidade em grandes empresas públicas e privadas foi foco de discussão no debate mediado pelo jornalista Agostinho Vieira. “A intenção é tornar essa prática comum entre as empresas brasileiras, dando transparência às atividades do setor. São duas questões: mensurar e dar escala às boas práticas”, explicou Marina, complementando que a recomendação prevê também incentivos às pequenas e médias empresas para a publicação de relatórios de sustentabilidade.
“A gente não pode continuar a trabalhar sozinhos nesta questão. Por isso, damos suporte a essa iniciativa do CEBDS”, disse Vânia Somavilla, diretora executiva da Vale. “Essa é uma ferramenta importante para entender e aperfeiçoar a atividade empresarial”, afirmou Tereza Cristina Rozendo, gestora do Departamento de Responsabilidade Social da Eletrobras. “Para se saber onde se quer chegar, é preciso saber onde está. Daí a relevância dos relatórios de sustentabilidade para as empresas”, considerou Gláucia Zoldan, gerente de Inovação e Tecnologia do Sebrae Nacional.
De acordo com a secretária nacional de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Crespo, o governo federal analisa a proposta com bons olhos. “A tendência é adotarmos uma metodologia simples”, afirmou Samyra. “A métrica e a transparência são essenciais neste processo para um novo modelo de desenvolvimento”, disse o economista Sérgio Besserman.
Em nível mundial, o CEBDS, o WBCSD (Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável), e o GRI (Global Reporting Initiative) enviaram uma carta ao secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, recomendando que os governos incentivem a elaboração e a publicação de relatórios de sustentabilidade por parte das empresas.
O documento Visão Brasil 2050 – lançado pelo CEBDS em evento paralelo da Rio+20 – também foi apontado como uma proposta importante do setor empresarial. “No Business Day, evento que reuniu mais de 800 representantes de companhias globais, a palavra de ordem foi ‘dar escala’ para as boas práticas do mercado. As empresas pedem regulamentação, incentivos e subsídios, que vão alcançar inclusive a cadeia de fornecedores, normalmente pequenos e médios empresários”, disse Marina Grossi.
Além da regulamentação, a precificação do carbono foi apontada como necessária para acelerar o processo de migração das empresas para o modelo da sustentabilidade. “É preciso pensar diferente. Nesse sentido, tem que ter uma governança complexa que possa endereçar essas questões”, observou a presidente executiva do CEBDS.
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